Em evento do mercado financeiro, governadores presidenciáveis apontam falhas do governo na condução da política externa e dizem que direita estará unida contra reeleição de Lula
Os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR), nomes de destaque na ala conservadora com pretensões à Presidência em 2026, uniram críticas contundentes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (26), durante painel da XP Expert, em São Paulo. O principal alvo foi a atuação do governo federal diante do chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, que impacta diretamente a economia de diversos estados brasileiros.
Tarcísio, que comanda o estado mais atingido pelas novas tarifas, classificou como “uso político” a postura do governo Lula frente à crise. “Infelizmente, vivemos um momento em que se tenta tirar proveito político de tudo. O país está sendo dividido”, afirmou. Ele reforçou que a direita deve manter coesão na próxima eleição: “Se engana quem acha que haverá racha. Essa turma vai estar unida e vai promover as mudanças que o Brasil merece”.
Ratinho Júnior foi ainda mais incisivo ao acusar o governo de “destruir os canais de negociação” e de transformar o Itamaraty em um braço ideológico. “O Brasil virou um país que, diante de uma crise comercial internacional, responde com vídeos na internet em vez de mandar um chanceler negociar. Isso é uma vergonha institucional”, criticou o governador do Paraná.
Caiado, por sua vez, levantou suspeitas sobre a real intenção do governo em resolver o problema. “Lula não quer resolver o tarifaço. Está construindo uma narrativa para provocar uma divisão interna e tirar proveito político”, declarou. O governador de Goiás também afirmou que o Ministério das Relações Exteriores deixou de ser técnico para se tornar um instrumento ideológico. “Destruíram a chancelaria brasileira, que já foi uma das melhores do mundo”, lamentou.
Os três líderes demonstraram alinhamento político e reforçaram que estarão juntos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A antecipação do debate eleitoral, segundo eles, é reflexo da insatisfação crescente da população com a condução da política externa e da economia nacional.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Secom