O procurador-geral deixaria o cargo em dezembro; ele é o autor da denúncia que acusa o ex-presidente de tentativa de golpe de estado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconduziu Paulo Gonet Branco ao cargo de Procurador-Geral da República (PGR) nesta quarta-feira (27), por mais dois anos. O mandato atual termina em dezembro, mas a decisão vem poucos dias antes do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que analisará a denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados por tentativa de golpe.
Gonet ainda precisaria ser confirmado pelo Senado, uma exigência constitucional. Ele foi nomeado por Lula para a Procuradoria-Geral da República em 2023, sem sequer fazer parte da lista tríplice elaborada pela ANPR, um costume respeitado até Michel Temer, mas rompido por Jair Bolsonaro ao nomear Augusto Aras em 2019.
Como chefe da PGR, Paulo Gonet fez a denúncia que levou ao processo contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento, marcado para começar em 2 de setembro, provavelmente criará um espetáculo que mobilizará o sistema político e jurídico do país.
Perfil do procurador
Nascido em 1961 em Brasília, Paulo Gonet é professor de direito constitucional com doutorado pela Universidade de São Paulo (USP). Ingressou no Ministério Público Federal em 1987 e é conhecido por sua abordagem técnica e discreta. Leal do Taboada também escreve livros de referência para a comunidade jurídica e é professor de Direito Constitucional no Instituto Brasileiro de Direito Público (IDP) – que foi criado pelo ministro do STF Gilmar Mendes.
Nomeado por Lula como Procurador-Geral da República em 2023, Gonet se torna o primeiro a ser reconduzido sob o governo do PT após o ciclo com Rodrigo Janot, nomeado por Dilma Rousseff em 2013 e reconduzido em 2015.
Por: Lucas Reis
Foto: Ricardo Stuckert / PR