Francisco Mairlon foi absolvido por unanimidade pelo STJ no caso do triplo homicídio conhecido como “Crime da 113 Sul”; defesa apontou tortura e falhas no processo.
O rosto de Francisco Mairlon ao deixar a prisão, nesta quarta-feira (15), misturava alívio e incredulidade. Preso desde 2010 e condenado a 47 anos de prisão por participação no “Crime da 113 Sul”, ele conquistou a liberdade após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anular a sentença por unanimidade. Foram mais de 5 mil dias esperando por esse momento.
A decisão foi tomada após análise do recurso da ONG Innocence Project, que trabalha para corrigir erros judiciais. A defesa sustentou que a condenação de Mairlon se baseou apenas em declarações obtidas sob pressão policial, sem provas materiais ou confirmação judicial. Um dos réus, inclusive, teria mudado o depoimento ao longo do processo, isentando Mairlon da autoria.
Preso aos 22 anos, ele não chegou a ver o nascimento do filho — a companheira estava grávida de oito meses quando foi detido. “Vi meu filho uma única vez. Quantas coisas perdi?”, lamentou. Emocionado, contou que mantinha a esperança com fé e pensamento positivo: “Sempre acreditei que um dia a verdade apareceria.”
O Ministério Público anunciou que pretende recorrer da decisão, pedindo o restabelecimento da sentença original. Enquanto isso, Mairlon tenta se adaptar à liberdade após década e meia encarcerado. “Hoje me sinto renascendo. Quero viver o que o tempo me tirou”, disse, abraçado à advogada que lutou por sua absolvição.
Por: Lucas Reis
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução