Companhias cancelam operações após presidente dos EUA declarar o céu da Venezuela “totalmente fechado” e elevar tensão com Caracas
A intensificação das tensões entre Estados Unidos e Venezuela levou as companhias aéreas Gol e TAP Air Portugal a cancelarem seus voos para o país sul-americano. A decisão ocorreu depois que o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o espaço aéreo “acima e ao redor” da Venezuela deveria ser tratado como “completamente fechado”, acendendo um alerta internacional sobre segurança na região.
O governo de Nicolás Maduro reagiu prontamente às declarações e anunciou a revogação da licença de operação de pelo menos seis companhias estrangeiras, incluindo as que decidiram suspender suas rotas. A medida foi comunicada oficialmente na quinta-feira (27), ampliando o impacto das tensões diplomáticas.
O comunicado de Trump
Em uma publicação feita em suas redes sociais, Trump enviou um recado direto a empresas aéreas, pilotos e grupos criminosos.
“Peço que todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela totalmente fechado”, escreveu o presidente.
A mensagem segue uma série de posicionamentos recentes do governo americano sobre a presença de cartéis de drogas na região, incluindo a promessa de “novas ações terrestres” a serem implementadas “muito em breve”.
Alerta de risco emitido pelos EUA
Dias antes da declaração pública de Trump, a agência reguladora de aviação dos Estados Unidos já havia alertado companhias aéreas sobre uma “situação potencialmente perigosa” no espaço aéreo venezuelano. O documento mencionava o agravamento do cenário de segurança e o aumento da atividade militar dentro e nos arredores do país.
Washington também havia recomendado, em 21 de novembro, que as empresas adotassem cautela ao sobrevoar o território, reforçando a percepção de instabilidade.
Conflito geopolítico e pressão militar
A escalada ocorre em meio ao aumento da presença militar americana no Caribe e no Pacífico. A mobilização inclui o USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo, acompanhado por caças F-35, navios de guerra e um submarino nuclear.
Nos últimos meses, os EUA afirmam ter realizado operações para interceptar embarcações suspeitas de tráfico de drogas, resultando na morte de pelo menos 83 pessoas em mais de 20 ataques.
Caracas, por sua vez, acusa Washington de tentar promover uma mudança de regime. Apesar do clima de tensão, tanto Trump quanto Maduro afirmaram recentemente estar abertos a possíveis negociações — embora autoridades americanas ainda não tenham apresentado evidências de que as embarcações atingidas representassem ameaça ou transportassem drogas.
Por: Lucas Reis
Foto:Abe McNatt/White House /via Itatiaia