Dados do MPT apontam aumento de 12,7% e acendem alerta para casos subnotificados
O Brasil já soma 733 denúncias de trabalho análogo à escravidão em 2026, segundo o Ministério Público do Trabalho. O número representa um aumento de 12,7% em comparação com o mesmo período de 2025, evidenciando o avanço desse tipo de crime no país.
Somente no mês de março, foram registrados 211 casos, o que reforça a tendência de alta ao longo do ano. Nos dois primeiros meses de 2026, já haviam sido contabilizadas 522 denúncias, contra 463 no mesmo intervalo do ano anterior.
Entre os estados, São Paulo lidera os registros, com 167 denúncias apenas neste ano. A maior parte dos casos envolve trabalhadores resgatados em áreas rurais, como fazendas, mas especialistas alertam para uma realidade ainda mais preocupante: a subnotificação no ambiente doméstico.
De acordo com o MPT, situações de exploração dentro de residências muitas vezes não chegam ao conhecimento das autoridades, seja por isolamento das vítimas ou pela naturalização de práticas abusivas ao longo do tempo.
Casos recentes reforçam esse cenário, como o de uma trabalhadora estrangeira resgatada após anos em condições degradantes. A vítima relatou jornadas exaustivas, ausência de salário direto e restrições de liberdade, características que configuram trabalho análogo à escravidão.
Além das condições precárias, a retenção de documentos e o controle financeiro são práticas recorrentes nesse tipo de crime, dificultando a denúncia e prolongando o sofrimento das vítimas.
Por: Genivaldo Coimbra