Pesquisa mostra aumento da percepção de alta nos preços, avanço do endividamento e empate técnico com Flávio Bolsonaro em simulação de 2º turno
A nova rodada da Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), indica que a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue em trajetória de piora, pressionada principalmente pela inflação de alimentos e pelo nível de endividamento das famílias.
Segundo o levantamento, 52% desaprovam o governo, enquanto 43% aprovam. Outros 5% não souberam ou não responderam. A distância entre desaprovação e aprovação vem crescendo desde o início do ano.
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o principal fator por trás desse movimento é a percepção da alta nos preços nos supermercados.
> “O principal motor dessa piora parece ser o preço dos alimentos nos mercados”, afirmou.
Percepção de alta nos alimentos salta para 72%
De acordo com a pesquisa, 72% dos entrevistados afirmam ter percebido aumento no preço dos alimentos no último mês. Em março, esse percentual era de 58%.
Subiu: 72% (58% em março)
Ficou igual: 18% (24%)
Caiu: 8% (16%)
Não sabem/não responderam: 2% (2%)
Endividamento das famílias cresce
O levantamento também mostra aumento na parcela de brasileiros com dívidas. Hoje, 72% afirmam ter muitas ou poucas dívidas a pagar. Em março do ano passado, esse índice era de 65%.
Quando perguntados sobre a situação financeira:
Muitas dívidas: 29%
Poucas dívidas: 43%
Não têm dívidas: 28%
Economia é vista como pior por metade dos entrevistados
Para 50% dos entrevistados, a economia brasileira piorou nos últimos 12 meses. Apenas 21% avaliam que houve melhora.
Mesmo com a recente redução da taxa Selic promovida pelo Banco Central do Brasil, que passou de 15% para 14,75% ao ano, e com indicadores positivos no mercado de trabalho divulgados pelo IBGE, a percepção econômica segue negativa.
Em março, o IPCA registrou alta de 0,88%, mantendo a pressão inflacionária.
Impacto limitado de medidas como IR e Desenrola
A pesquisa também avaliou o impacto de medidas econômicas recentes.
Sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, 31% disseram ter sido beneficiados, enquanto 66% afirmaram não ter sentido efeito prático.
Já o programa Desenrola Brasil é aprovado por 46%, mas 45% afirmam não conhecer a iniciativa.
Empate técnico com Flávio Bolsonaro no 2º turno
No cenário eleitoral, a pesquisa simulou um segundo turno entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro: 42%
Lula: 40%
O resultado indica empate técnico dentro da margem de erro.
A pesquisa também mediu a percepção de medo do eleitor:
43% dizem temer mais a volta da família Bolsonaro ao poder
42% temem a continuidade do governo Lula
Outros nomes ainda são pouco conhecidos
Segundo Felipe Nunes, outros possíveis nomes para a disputa presidencial, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, ainda apresentam alto grau de desconhecimento entre os eleitores, embora tenham reduzido rejeição no último mês.
Metodologia: A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 9 e 13 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O registro no TSE é BR-09285/2026.
Por: Genivaldo Coimbra