Protestos na Bienal de Veneza
Na última sexta-feira (8), um grupo expressivo de países decidiu fechar seus pavilhões na Bienal de Veneza. Essa ação é uma resposta à presença de Israel na renomada mostra de arte, que desencadeou uma onda de protestos ao longo da semana.
Mobilização internacional
Cerca de 20 nações, entre elas o Reino Unido e a Suíça, tomaram a decisão de lacrar suas galerias em solidariedade a uma greve geral de trabalhadores da cultura. Essa mobilização é liderada por ativistas do grupo Art Not Genocide Alliance e visa protestar contra a guerra na Faixa de Gaza, que muitos acusam Israel de promover como genocídio.
Além dos britânicos e suíços, países como Áustria, Bélgica, Chipre, Egito, Equador, Eslovênia, Espanha, Finlândia, Holanda, Irlanda, Lituânia, Luxemburgo, Polônia, Malta e Turquia também se uniram à causa.
À beira da abertura
Esses protestos têm um significado especial, pois ocorrem na véspera da abertura ao público da Bienal, a maior mostra de arte do mundo, que acontecerá neste sábado. Esta edição é considerada uma das mais controversas em seus 130 anos de história, contando com boicotes de diversas autoridades internacionais, incluindo a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
O retorno da Rússia
Outro ponto de tensão que alimenta as mobilizações é o retorno da delegação da Rússia ao evento, após ser banida em 2022 devido à ofensiva na Ucrânia. Desde o anúncio dessa autorização, cresce a pressão para que o pavilhão russo não seja reaberto.
Crise interna na Bienal
Os organizadores da Bienal estão enfrentando uma crise interna por conta da controvérsia gerada pela presença russa, que ocorre mesmo com sanções em vigor contra o país. A situação gerou uma carta aberta de protesto de artistas e curadores, culminando na renúncia do corpo de jurados da mostra.
Mudanças históricas
Uma novidade marcante nesta edição é que, pela primeira vez na história da Bienal, o Leão de Ouro, o prêmio máximo da exposição, será concedido a um artista escolhido pelo público, ao invés de um painel de críticos. Para agravar a situação, a União Europeia cortou € 2 milhões, o que equivale a quase R$ 12 milhões, do financiamento da próxima edição.
Publicado por Maria Lucia.