Governador também propõe anistia de R$ 1 bilhão em multas; contribuição financiou obras rodoviárias desde 2022, mas enfrentava resistência de produtores
O governador Ronaldo Caiado (PSD) anunciou nesta quarta-feira (18), durante a abertura do ano legislativo na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), o fim da chamada taxa do agro em Goiás. O comunicado foi feito ao final de um discurso de 58 minutos e contou com a presença do vice-governador Daniel Vilela (MDB), apontado como sucessor político.
Segundo o chefe do Executivo estadual, o projeto de lei que extingue a cobrança será encaminhado ao Parlamento nesta quinta-feira (19). Além disso, o governo também enviará uma proposta para anistiar aproximadamente R$ 1 bilhão em multas aplicadas a cerca de 10 mil produtores rurais goianos.
Taxa financiou infraestrutura estratégica
Criada em 2022, a contribuição abastece o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), responsável por custear obras em rodovias, pontes, bueiros, aeródromos e outras estruturas logísticas fundamentais para o escoamento da produção agrícola no estado.
A taxa incide sobre produtos como soja, milho, cana-de-açúcar e carne bovina, com alíquotas que variam entre 0,50% e 1,65%. De acordo com dados do governo estadual, somente em 2025 a arrecadação superou R$ 850 milhões, destinados principalmente a intervenções nas GOs-154, 050 e 210, além da construção de pontes e viadutos.
Resistência no setor produtivo
Apesar dos investimentos em infraestrutura, a medida enfrentou forte resistência de parte do setor agropecuário desde sua criação. Produtores argumentavam que a cobrança elevava custos em um momento de instabilidade no mercado. Em episódios anteriores, o governador chegou a ser vaiado por empresários do agro, tradicional base eleitoral do grupo político.
Com o anúncio da revogação, o governo sinaliza uma tentativa de reaproximação com o setor e promete manter os investimentos logísticos por meio de novas alternativas de financiamento, que ainda devem ser detalhadas.
Por Lucas Reis