Isolado nas articulações, ex-governador vê adversários ampliarem alianças enquanto tucanos enfrentam dificuldade para montar chapa competitiva em Goiás
O tabuleiro político de Goiás para 2026 começa a ganhar contornos mais definidos e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) aparece em posição delicada. O partido, que por anos liderou amplas coalizões no estado, agora enfrenta um cenário de isolamento. No centro desse desafio está Marconi Perillo, que tenta viabilizar sua pré-candidatura ao Governo sem, até o momento, atrair aliados de peso para compor a chapa.
A dificuldade é concreta: nenhuma sigla de relevância sinalizou interesse público em ocupar as vagas de vice ou senador ao lado do ex-governador. Enquanto isso, os principais adversários avançam com movimentos estratégicos e ampliam musculatura política.
impacto “zero” na filiação de Ana Paula Rezende ao PL
A entrada de Ana Paula Rezende como pré-candidata a vice na chapa de Wilder Morais pode ter gerado repercussão política, mas, segundo cientistas políticos ouvidos pelo O Popular, o efeito eleitoral é praticamente inexistente. Avaliações apontam que ela não possui capital político próprio nem grupo consolidado capaz de transferir votos, enquanto o MDB, sob liderança de Daniel Vilela, permanece coeso na base governista.
Daniel Vilela
Na base governista, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) administra um cenário inverso: há mais interessados do que vagas disponíveis. A primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil) desponta como favorita ao Senado, enquanto nomes como Zacharias Calil e Vanderlan Cardoso disputam espaço na composição.
Daniel Vilela ainda conta com o apoio do governador mais bem avaliado do Brasil e trabalha pela continuidade da gestão de Caiado.
Marconi Perillo
Diante desse “congestionamento” nos palanques adversários, o PSDB vive o movimento oposto: escassez de alianças e incerteza estratégica. Sem o apoio de partidos como PP ou PSD — que hoje orbitam a estrutura governista —, cresce a possibilidade de uma chapa puro-sangue, formada exclusivamente por quadros tucanos.
O desafio de Marconi não é apenas eleitoral, mas simbólico: demonstrar que ainda possui capacidade de articulação em um ambiente onde as principais forças políticas parecem já ter escolhido seus lados. Em um cenário polarizado e com alianças praticamente definidas, o espaço para uma terceira via encolhe — e o tempo para reverter esse isolamento político também.
Por: Sidney Araujo