Reformulação do Estatuto do Santos: Um Passo Necessário
A reforma do Estatuto do Santos é um tema que mobilizou a comunidade santista e gerou discussões acaloradas nas últimas reuniões do Conselho Deliberativo. Os conselheiros têm um prazo de 30 dias para apresentar suas sugestões de emendas ao texto, que será submetido a uma assembleia de sócios. No entanto, algumas propostas contêm “jabutis”, ou seja, inserções que podem comprometer a integridade e a aceitação do novo estatuto.
A Questão do Retorno de Ex-Penalizados
Um dos pontos mais controversos está no Artigo 14, que estipula que associados eliminados só poderão ser readmitidos após um processo no Conselho Deliberativo. Isso abre espaço para negociações políticas duvidosas, o que deve ser evitado. A sugestão é que esse artigo seja eliminado completamente, resguardando a transparência e a justiça.
O Direito ao Voto: Proposta de Manutenção
Outra mudança proposta no Artigo 25 eleva o tempo de associação para acesso ao voto de três para cinco anos. Esta alteração não possui justificativa clara e pode ser vista como uma maneira de restringir a participação de novos associados. A proposta é manter a atual redação, garantindo que todos os associados com três anos de permanência possam efetivamente participar das decisões do clube.
Voto Online: Um Avanço Ignorado
No que diz respeito ao Artigo 28, a redação atual sobre o voto online pode gerar confusão. Remover uma vírgula alterou seu significado. A proposta é assegurar que o voto online permaneça, colocando-o como um avanço necessário na administração do clube. Sugere-se uma redação que reitera essa forma de votação, garantindo que todos tenham acesso e possam participar de maneira inclusiva.
Representatividade e Novas Lideranças
O Artigo 36 traz uma cláusula que requer que interessados em ser presidentes tenham servido no Conselho por no mínimo três mandatos. Essa exigência limita o surgimento de novas lideranças. A proposta é reduzir essa exigência para um único mandato, permitindo que vozes novas possam emergir e contribuir para o clube.
Poder Familiar: Transparência nas Relações
No Artigo 42, seria prudente adicionar uma emenda estipulando que parentes dos conselheiros não possam ocupar cargos ou prestar serviços no clube. Essa medida visa combater o nepotismo e garantir que as contratações sejam baseadas em competência e não em laços familiares.
Direção Profissional: Fuga do Amadorismo
A atual proposta sobre a criação de “diretores estatutários” é vista como uma forma de permitir o amadorismo no clube. A sugestão é que a Diretoria Executiva seja composta por profissionais qualificados, encarregados de gerenciar as diversas áreas do clube. Ressalta-se que a presença de diretores no Conselho Deliberativo deve ser proibida, assegurando uma gestão independente e profissional.
Controle sobre a Gestão: A Necessidade de Limites
Por fim, no artigo que trata dos impedimentos do presidente, algumas cláusulas permitem uma gestão arriscada. Propostas de alteração buscam reduzir os limites de prejuízo e atrasos, alinhando-os com a legislação vigente e protegendo o patrimônio e a imagem do clube. É crucial criar mecanismos que garantam a responsabilidade e a renovação da gestão.
A comunidade santista se mobiliza em prol de uma estrutura mais limpa e transparente para o futuro. Este é o momento ideal para que as sugestões cheguem a um consenso que atenda aos interesses de todos, preservando a tradição e o orgulho do Santos FC.
Publicado por Maria Lucia.