Deputados bolsonaristas tentam impedir sessões e pressionam por anistia aos presos do 8 de janeiro
O Congresso Nacional voltou aos trabalhos nesta terça-feira (6) sob clima de forte tensão, apenas um dia após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. A oposição bolsonarista protagonizou protestos dentro do plenário da Câmara, com parlamentares ocupando a Mesa Diretora e usando fitas adesivas na boca em sinal de protesto. O objetivo era interromper as sessões legislativas.
A ação foi uma resposta direta à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro por violar medidas cautelares. O ex-presidente é investigado por tentativa de golpe de Estado e por conspirar contra o resultado das eleições de 2022.
O ponto central do protesto foi a pressão da oposição pela votação de um projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Deputados aliados a Bolsonaro querem que a proposta volte ao centro das discussões, ganhando força com a nova decisão judicial. Do outro lado, parlamentares da base do governo reagiram com firmeza.
Durante a sessão, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, afirmou que não há espaço político para discutir anistia neste momento. “Não existe ambiente para esse tipo de pauta”, declarou, sendo prontamente desafiado por oposicionistas, que reagiram com provocações e gritos no plenário.
O tumulto levou partidos aliados do governo a exigirem o retorno do presidente em exercício da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para conter a crise. Enquanto isso, o primeiro vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ), afirmou que pautará a anistia caso Motta se ausente do país. “Se ele sair, eu coloco a proposta na pauta”, ameaçou.
A crise revela o clima de polarização que ainda domina o Congresso e escancara os reflexos políticos da prisão de Bolsonaro. Enquanto a base tenta manter a estabilidade institucional, aliados do ex-presidente parecem dispostos a esticar a corda em nome de sua narrativa.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado