Mobilizações em pelo menos 33 cidades devem reunir milhares de pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília
Movimentos sociais e partidos de esquerda se mobilizam neste domingo (21) em protestos contra duas propostas que acenderam o alerta no cenário político brasileiro: a PEC da Blindagem e o projeto de anistia defendido por setores bolsonaristas. As manifestações, convocadas às pressas, ganharam força após o apoio de artistas e influenciadores nas redes sociais.
Os atos foram articulados principalmente pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligadas ao PSOL e ao PT, e contam com a adesão de movimentos como MST e MTST. Ao todo, estão confirmados protestos em 33 cidades, incluindo 22 capitais, o que indica uma mobilização de alcance nacional.
No centro da disputa está a PEC da Blindagem, criticada por abrir espaço para que o Congresso impeça prisões de parlamentares e interfira em processos criminais no Supremo Tribunal Federal. O tema provocou turbulência dentro do próprio PT, já que 12 deputados da legenda votaram a favor da medida, contrariando a orientação oficial do partido.
Embora tenham se desculpado publicamente, os parlamentares alegaram que foram induzidos a erro em um acordo político para tentar barrar a pauta da anistia, que ganhou fôlego após a condenação de Jair Bolsonaro. O episódio aumentou a pressão dentro da esquerda e acabou reforçando a convocação das manifestações deste domingo.
A expectativa é de grandes concentrações em São Paulo, com ato no Masp, na avenida Paulista; no Rio de Janeiro, em Copacabana, com apresentações de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil; e em Brasília, em frente ao Museu Nacional, em evento apoiado por mais de 50 organizações locais. Em todas as cidades, líderes de partidos de esquerda e parlamentares devem marcar presença, enquanto ministros do governo Lula devem se manter afastados, por orientação do Planalto.
Os protestos refletem a tensão crescente entre Congresso e movimentos sociais, em um momento em que as decisões em Brasília podem redefinir o futuro da responsabilização de parlamentares e a pauta da anistia. A palavra de ordem que unifica as manifestações é clara: resistência contra retrocessos democráticos.
Por: Sidney Araujo
Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert