Conselheiros questionam acordo bilionário com a PGFN e uso do Parque São Jorge como garantia
O Sport Club Corinthians Paulista recebeu, nesta quarta-feira (15), um pedido formal de impeachment contra o presidente Osmar Stabile. O requerimento foi protocolado por um grupo de sócios e conselheiros e encaminhado pelo Conselho Deliberativo à Comissão de Ética, que vai analisar se há elementos para dar prosseguimento ao processo.
O documento apresentado levanta questionamentos sobre decisões recentes da diretoria, principalmente em relação ao acordo firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para renegociação de uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão.
Segundo os conselheiros, o acordo teria utilizado o Parque São Jorge, sede social do clube, como garantia patrimonial, o que gerou preocupação entre os signatários do pedido devido ao valor estratégico do bem para a instituição.
O texto também detalha as condições da renegociação. Os débitos não previdenciários seriam pagos em 120 parcelas mensais, enquanto os previdenciários em 60 prestações, com previsão de quitação ao longo de cerca de dez anos. Ainda conforme o documento, o clube teria obtido desconto de 46,6% sobre juros, multas e encargos, reduzindo o valor final a aproximadamente R$ 679 milhões.
Além da questão financeira, os conselheiros apontam possíveis falhas de transparência administrativa e questionam se os trâmites adotados respeitaram o estatuto do clube. Entre os pontos citados estão a gestão da Neo Química Arena, a distribuição de ingressos e credenciais e contratos de segurança.
O pedido menciona ainda declarações recentes do presidente sobre a existência de “funcionários fantasmas”, cobrando apuração formal e eventual responsabilização.
A Comissão de Ética agora avalia o material apresentado para decidir se o processo seguirá para as próximas etapas internas previstas no estatuto do clube.
Por: Bruno José